APIAÍ - HISTÓRIA DA ÁGUA

Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque


Antes da descoberta do Brasil aqui (em Apiaí) não morava ninguém. Os índios, como é regra, não gostam do frio. E nossa cidade está a 926 metros de altitude acima do mar que é o marco zero. A temperatura média daqui é de 19 graus, com freqüentes geadas durante o inverno. Periodicamente neva, sendo que a derradeira nevada aconteceu no dia 17 de julho de 1975.

Como é possível o índio viver num lugar como este? ele que não usa roupa? E se porventura algum grupo indígena existia nas imediações de Apiaí, foi ele exterminado, conforme nos dá notícia J.J. Machado de Oliveira, em sua obra

“Quadro Histórico da Província de São Paulo”, editada em 1.864 :

Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque

“Acusados como sempre foram os índios selvagens por grupos armados com o nome de bandeiras, que invadiam os sertões quase sempre com o único fito de matá-los ou cativá-los, pela culpa original de não pertencerem à raça branca, algumas tribos dessa gente assentaram seus alojamentos nas matas que se estendem de Sorocaba a Itapeva, e bastou isso para incutirem medo aos habitantes daqueles lugares, pois não consta que da parte dos adventícios houvesse hostilidade alguma. Informado daquela ocupação o governador ordenou ao Coronel Francisco Fiuza, que, entrando nessas matas com homens armados, fosse atacar os índios de modo a exterminá-los ou a expelí-los dos seus alojamentos para que os moradores daquelas paragens pudessem viver desassombrados.”

Até então a água escorria tranqüila e era absolutamente pura. Depois foram chegando, pouco a pouco, os primeiros homens brancos, vindos de Portugal, a cata de ouro que havia por todos os lados, em nossos riachos. Foram eles que deram nomes aos nossos cursos d’água : “Canal do Ouro”, “Água Limpa”, “Maria Clara”, “Tijuco”, “Caximba”, “Pirizal”, “Pai Graví”, “Palmital”, “Água Grande”, 
“Vieira”, “São Bento”, “João de Oliveira”, “Ponte de Tábuas”, “Apiahy Guaçú”,

“São Bento”e tantos outros.

O córrego “Canal do Ouro” é também chamado da “Pedra Amarela” que tem sua história bem ligada à de Apiaí. Foi a água pura desse riacho, que tem sua nascente no Morro do Ouro, que abasteceu Apiaí, desde seus primeiros dias até bem pouco tempo atrás. A “biquinha” é uma vertente que despeja sua água nesse córrego. No começo a gente trazia água da “pedra amarela” ou da “biquinha” em potes para ser tomada em casa. Não havia serviço de água canalizada.


Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque


No curso do ano de 1921 a Câmara Municipal concedeu ao cidadão LEONCIO PIMENTEL , morador de Itararé, autorização para implantar em Apiaí o serviço de água canalizada, no interesse da povoação que era de aproximadamente 1500 pessoas. Foi represada a cabeceira do córrego “pedra amarela”, que nasce quase no topo do Morro do Ouro e que vai formar o “Canal do Ouro”. Daquele local a água vinha por cano de ferro galvanizado de duas polegadas de diâmetro até a caixa d’água localizada numa extremidade do hoje Jardim Paraíso, e dali saia o cano da rede distribuidora, polegada e meia, também de ferro. 



A rede distribuidora alcançava todas as ruas 

Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque

da pequena cidade, que eram a XV de Novembro,
Tenente 
Martins, Liberato Doria, 21 de Abril, Tenente Coronel Meira, e pequenos trechos da Primeiro de Maio, Sete de Setembro e Padre Celso. Não havia hidrômetros, por isso o consumidor pagava uma taxa correspondente ao número de torneiras que tinha em sua casa. No ano de 1938 Leoncio Pimentel vendeu o serviço de água canalizada, juntamente com a Empresa de Força e Luz de Apiaí, que havia instalado naquele mesmo ano de 1921, a Lázaro Calazans Luz, “Seu Lulú”, que assim se tornou concessionário da EMPRESA DE FORÇA LUZ E ÁGUA DE APIAÍ. 



Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque

  


A água da “pedra amarela” já não supria a necessidade local, e “seu Lulú” numa tentativa de ampliar o serviço, captou através de manilhas, a água de um minadouro que havia próximo da “Vila Velha da Água Limpa”, que era trazida para a cidade, situada em nível mais elevado, impulsionada por uma bomba elétrica.



Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque

Mas essa providência não logrou êxito porque a cidade já havia aumentado consideravelmente, inclusive com a instalação de postos de gasolina que consumiam muita água com a lavagem de veículos. Como conseqüência, o serviço de água canalizada de Apiaí veio a ser desapropriado pela Prefeitura, no ano de 1949, quando prefeito Alberto Dias Baptista. A municipalidade continuou enfrentando e procurando resolver o problema. No contraforte norte do Morro do Ouro aproveitou o represamento do ribeirão nominado “Água Grande” que havia sido feito por “seu Lulú”, inclusive a adutora de manilhas de seis polegadas por ele estendidas até a caixa dágua que já existia na cidade, e captou grande parte de suas águas, concluindo assim a obra que havia sido iniciada por “seu Lulú”. A fonte da água era significativa, mas a rede de distribuição não suportava a carga. Nem a Prefeitura conseguia resolver a questão da distribuição da água potável. Finalmente, em Janeiro de 1973, a Prefeitura de Apiaí transferiu para a SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo -, todo o acervo da antiga empresa de água canalizada, e a SABESP, criada para esse propósito, com o aproveitamento racional de outros mananciais, inclusive da “Água Limpa”, implantou na cidade e em seus bairros vizinhos o moderno sistema de captação e distribuição do precioso líquido, com estação de tratamento, etc.

Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque



Ao tempo de Leoncio Pimentel o escritório da Empresa de Força Luz e Água de Apiaí funcionava em casa do seu gerente, Izidoro Alpheu Santiago. Quando a empresa foi adquirida por Lázaro Calazans Luz, “Seu Lulú”, o escritório ficava em sua casa de residência, Rua XV de Novembro, nº: 1, e para cuidar do serviço de água havia apenas dois empregados, enquanto que a parte burocrática, inclusive a cobrança das taxas, estava a cargo exclusivo de “seu Lulú” e de sua esposa, a professora Antonia Baptista Calazans Luz. Os prédios ligados à rede distribuidora de água somavam apenas 168 (cento e sessenta e oito).




Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque


FONTE TEXTO: 
LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ

 

OBSERVAÇÃO:

A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!

 

"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃOOSWALDO MANCEBO.

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