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Fonte da imagem: Livro Santo Antonio das Minas de Apiahy |
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| Créditos Foto: Walker Figueirôa |
O Código de Posturas da Câmara Municipal de Apiahy, Lei nº: 48, de 1 de Dezembro de 1913, no seu artigo 165 dispunha: “o serviço de iluminação pública na cidade será luz elétrica; a Câmara Municipal, em tempo oportuno, levará a efeito esse grande melhoramento, por conta própria ou favorecendo a empresa particular que se organizar. Parágrafo único: Enquanto não estiver iluminada à luz elétrica a cidade, a iluminação será feita pelo sistema mais conveniente, das 6 da tarde às 11 horas da noite, não havendo luar.” O sistema vigente ao tempo da promulgação daquele Código era o da iluminação pelo lampião alimentado por querosene, que permanecia aceso naquele horário na ausência do luar...
O poder público municipal da época conseguiu realizar seu propósito. Pela Lei nº:4, de 25 de Maio de 1920, a Câmara Municipal, autorizou o Prefeito a contratar com quem melhores condições oferecesse, a instalação, uso e gozo do serviço de iluminação elétrica da cidade. Leoncio Pimentel, progressista cidadão de Itararé obteve a concessão, mediante contrato lavrado no dia 31 de Maio de 1920, tornando-se assim o primeiro a conquistar o direito de implantar no município o serviço público da energia elétrica.
Logo em seguida, a Câmara arrendou-lhe uma área de dois alqueires em volta do salto de vinte e cinco metros de altura existente a três quilômetros da cidade, no ribeirão Tijuco, onde foram executadas as obras da primeira usina hidroelétrica de Apiaí. Uma barragem de três metros de altura foi levantada; o canal de fuga, em alvenaria, foi aberto; o conduto forçado, em tubos de ferro de 12 polegadas foi articulado; foi montado o conjunto gerador de energia que se constituía numa turbina tipo “francis”, acoplada a um gerador “westinghouse” com capacidade para 30 HP, com o respectivo quadro de controle, tudo importado. Somente eram produto nacional, a casa de alvenaria que abrigava o conjunto, e a casa de “tabuinhas” destinada ao empregado da usina. Até a cidade, a linha de transmissão, cabo de alumínio, estirava-se sobre postes de madeira lavrada. O transformador, aqui da cidade, de onde partiam as linhas de distribuição, estava montado precisamente na rua XV de Novembro, à frente do seu prédio hoje de nº: 103. Apiaí, não contava, então, com mais de mil e quinhentos habitantes, se tanto, e a energia destinava-se exclusivamente à iluminação pública e domiciliar.
Quando desse evento, as casas beneficiadas com energia elétrica somavam 58. As ruas iluminadas com postes de madeira lavrada a cada cinqüenta metros, eram a XV de Novembro, 21 de Abril, Tenente Coronel Meira, Tenente Martins, Liberato Dória, e uma pequena parte das que estavam se iniciando, Padre Celso , Sete de Setembro e Primeiro de Maio. O Largo do Triângulo, hoje praça Jonas Dias Baptista, única área de lazer, foi privilegiado com a iluminação, que clareava seu coreto, sua pérgola e seus bem cuidados canteiros de cravos e rosas.
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| Créditos Foto: Walker Figueirôa |
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Aquele tempo não havia na cidade qualquer tipo de aparelho eletrodoméstico. Nem aparelhos de som. Nenhuma indústria que utilizasse motor elétrico, por mais frágil que fosse. Daí a razão pela qual a usina tinha capacidade geradora tão pequena. Além de tudo, no começo, a usina gerava energia das 18 às 24 horas.
Leoncio Pimentel também explorava o serviço de água canalizada domiciliar da cidade, por isso que era o concessionário da EMPRESA DE FORÇA LUZ E ÁGUA DE APIAI. No dia 22 de Novembro de 1938, essa empresa, que já não atendia as necessidades da cidade que crescera razoavelmente, foi vendida por Leoncio Pimentel a Lázaro Calazans Luz, “Seu Lulú”, aqui radicado há muitos anos e que era também proprietário do Posto de Gasolina Shell (antiga Energina), cujas bombas eram movimentadas manualmente.
No curso dos próximos anos que se seguiram à aquisição da Empresa de Força Luz e Água de Apiaí, seu Lulú enfrentou sérios problemas com a distribuição da energia elétrica e da água canalizada, cujos serviços estiveram prestes a entrar em total colapso, porque a demanda da cidade exigia muito mais, algumas oficinas que usavam motores elétricos foram se instalando, a Serraria Apiaí Ltda. começara suas atividades, e os eletrodomésticos começaram a ser utilizados. Essa situação crítica foi se agravando de 1938 até 1945. Aqueles 30 HP iniciais já eram absolutamente insuficientes para atender o mínimo da demanda. As lâmpadas dos postes da iluminação pública, como se costumava dizer na época “precisavam ser localizadas à luz de um fósforo”...
Foi nesse lapso de grandes dificuldades que Lázaro Calazans Luz, pressionado pela necessidade da comunidade, e sem maiores recursos financeiros, tentou minimizar o problema.
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Fonte da imagem: Livro Santo Antonio das Minas de Apiahy |
Implantada a “Usina Experimental de Chumbo e Prata de Apiaí” no bairro Palmital, sob a direção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em 1938, havia sido montada, às suas expensas e para seu uso exclusivo, uma usina hidrelétrica, que seria a segunda do município, na ordem do tempo.
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Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque |
Os ribeirões Água Limpa e Ponte de Tábuas, reunidos, foram represados no alto de uma cachoeira com aproximadamente cento e noventa a treis metros de altura, distante uns quatro quilômetros da cidade. A adutora de água era constituída de um tubo montado com tábuas preparadas, arrochadas com braçadeiras de ferro. Esse tubo, - o conduto forçado -, deveria ter uns 60 centímetros de diâmetro, e a água se despejava por ele, com muita força, até afunilar-se na entrada da turbina “francis”, lá em baixo, na casa das máquinas. A turbina estava acoplada a um gerador que produzia 250 HP de energia, substituindo a primitiva, que gerava tão só 120.
Seu “Lulú”, então, com muito esforço, conseguiu que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, vendesse à Empresa de Força e Luz de Apiaí, uma determinada carga diária de energia, que oscilava entre 500 e 1.000 quilowats, durante o período noturno, das 20 às 24 horas. Essa providência amenizou o problema da iluminação noturna de Apiaí, por algum tempo. Para essa emergência, conseguida entre 1942 e 1943, quando foi desativada a usina do Calabouço, tal como era conhecida a Usina Experimental de Chumbo, a Empresa de Força e Luz de Apiaí teve que construir uma linha de transmissão de alta tensão, da cidade até o bairro Palmital.
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Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque |
Encerrada a ajuda da usina do “Calabouço”, outra tentativa foi feita por “Seu Lulú” para tentar levantar o potencial da distribuição da energia na cidade. Nas instalações de mineração do Morro do Ouro, que já haviam sido desativadas, havia um enorme conjunto gerador diesel, de 400 HP. Fazer esse motor funcionar custava, além da boa vontade do dono e administrador do Morro, muito dinheiro para a Empresa de Força e Luz de Apiaí, que contava então com apenas 238 consumidores. O senhor João Batista de Almeida Prado, conhecido por Boni, condômino e administrador do Morro do Ouro, como presidente da Cia. Mineração Apiaí, com extraordinária boa vontade concordou em ceder a força que o velho motor conseguisse produzir, e “Seu Lulú” dispôs-se a gastar até o que não tinha para fazer movimentá-lo. Desta forma, por mais um ano, se não se resolveu pelo menos minorou-se a situação energética da cidade de Apiaí.
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Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque |
No curso dos anos de 1944 a 1946, “Seu Lulú”, com a eficientíssima assessoria de seu cunhado o engenheiro doutor Canuto de Almeida Moura procurou uma queda d’água em que pudesse construir uma nova usina hidroelétrica que satisfizesse as necessidades de Apiaí. Foi estudada a queda existente nas cabeceiras do Rio Betary, mas a quantidade de sua água não era suficiente. Enfim todas as quedas d’água mais próximas foram verificadas, e a escolhida foi a chamada “Cachoeira Grande”, com 75 metros de altura, localizada no Rio Catas Altas, em Barra do Chapéu, onde a usina foi finalmente implantada, sendo o conjunto composto de uma turbina tipo “francis” e um gerador “ASEA”,de fabricação sueca, produzindo 150 HP, se bem que o potencial da cachoeira tivesse capacidade para, num projeto mais audacioso e mais caro, produzir 1500 HP. A Cachoeira Grande fica a uma distância de 25 quilômetros de Apiaí. A linha de transmissão trifásica de alta tensão, em fios de cobre, foi montada sobre centenas de postes de madeira bruta sem qualquer tratamento, razão pela qual eram freqüentes as interrupções do fornecimento de energia, dadas as seguidas avarias na posteação, como conseqüência das mais variadas causas, destacando-se dentre elas as tradicionais queimadas provocadas pelo homem e os fenômenos próprios da natureza.
Em novembro de 1949 a usina da “Cachoeira Grande” começou a gerar mais energia para Apiaí, iluminando também a Barra do Chapéu , provocando a desativação da usina velha de 30 HP... Mas Apiaí já havia crescido demais, e nem a usina da Cachoeira Grande, a terceira a instalar-se no município conseguiu resolver o impasse, que permanecia grave.
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Fonte da imagem: Livro Santo Antonio das Minas de Apiahy |
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Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque |
Por escritura de 11 de Novembro de 1960, a Prefeitura Municipal de Apiaí, tendo como Prefeito Antonio Dimpino Pontes, adquiriu de Lázaro Calazans Luz, o “Seu Lulú”, o acervo completo da Empresa de Força e Luz de Apiaí, que anteriormente já lhe havia transferido a concessão que lhe cabia para distribuir a água canalizada na cidade. Depois a Prefeitura transferiu o encargo para a Companhia Energética de São Paulo - CESP, e o antigo problema da distribuição de “força e luz” em nosso município veio a ser resolvido em definitivo.
Ao tempo da Empresa de Força e Luz de Apiaí, apenas dez por cento dos consumidores pagavam a respectiva tarifa contra o marcado nos relógios ou medidores, todos de propriedade da empresa. Os demais pagavam uma taxa por “bico de luz”, ou seja, pelo número e potência das lâmpadas que tinham em suas casas.
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Créditos Foto: Pedro H. Slompo Verneque |
FONTE TEXTO: LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ
OBSERVAÇÃO:
A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!
"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃO, OSWALDO MANCEBO.
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