A variação, dentre os estudiosos e pesquisadores, sobre o significado de "Apiahy", é bem vasta.
O Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, já aponta duas hipóteses:
“Apiahy, corruptela de Api-aí-í, o que significa que um rio em todo o seu curso, é torcido e tem altos e baixos”. De api, “torcer”, aí, “altos e baixos”, í, posposição de perseverança. Alusivo às incessantes voltas ou torceduras que esse rio faz; e às pedras e outros embaraços que o tornam impraticável, principalmente quando baixam as águas.”
“Apiahy - Villa à margem direita do ribeirão Palmital e à esquerda do ribeirão Água Grande. Tira o nome do morro onde nascem esses ribeirões : Api-aí, ponta derrocada”. De api, “ponta”, princípio e fim da cousa, aí, “derrocado, desbaratado, desmoronado”. Este aí final parece ter sido empregado para afirmar como notável o aspecto das rochas. Com efeito, esse morro é coberto de numerosas e grandes rochas em desordem, parecendo ao longe um edifício em ruínas. Hoje o Api-aí é conhecido por Morro da Descoberta ou do Ouro; e assim, a villa é a que lhe mantém, ainda que corruptamente, o nome.”
Carlos José Frederico Rath, em sua obra “Fragmentos Geológicos e Geográficos das Províncias de São Paulo e Paraná” (1845) faz alusão direta a Apiahy:
“Apiahy - Este rio nasce na cordilheira que demora ao oriente de Iguape, e vai lançar-se no Paranapanema depois de regar o Município de seu nome. Nas margens do Apiahy existem minas de ouro, as quais sendo exploradas pelos primeiros colonos portugueses que aportaram ao Brasil no começo do século passado acham-se hoje abandonadas. No Morro Desmoronado encontram-se pirites contendo cobre e gangas de quartzo branco, e no Morro Branco um metal cor de chumbo formado de finas veias escamosas e muito duras que resistem ao fogo e todos os reagentes”. -”Este nome (Apiahy), é tirado de um rio que corre hoje em dia 3 léguas distantes da Villa. O nome é derivado da língua dos guaranis, e vem de pia = menino, e hia = água, quer dizer, pequena água”.
O padre Bienvenido Maciel, salesiano, diretor da “Comunidad San Juan Bosco”, que cuida das vocações salesianas em Assunção, Paraguai, profundo conhecedor do dialeto guarani, atendendo a pedido que lhe fizemos por intermédiodo sacerdote Antonio Lages Magalhães, salesiano, nosso ilustre primo e conterrâneo, radicado em Lorena, onde é preclaro professor de português, esclaceu-nos que Apiahy pode vir de API- salto, A - redondo e Y - água , o que significa “Salto redondeado (torcido) de água, versão que coincide com a primeira, constante do Dicionário Geográfico da Província de São Paulo.
O naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire, que esteve nesta região de Apiai por volta de 1820, no seu precioso livro “Viagens pelas Províncias de São Paulo e Paraná”, dá sua interpretação :
“O nome Apiahy vem do guarani apia e yg de onde, os primeiros, dentre outros significados, que podem comportar, “mancha, circuncisão e membro viril”.
Theodoro Sampaio ( “O Tupi na Geografia Nacional” - 1914 - ) diz que Apiahy vem de Apiá-y, que significa “o rio dos machos”, podendo ainda ser “rio dos meninos”. A última hipótese apontada por Theodoro Sampaio acabou sendo aceita oficialmente pelo Município que a tem gravada em placa cravada na entrada do Paço Municipal, e divulga-a em seus atos.
Todavia, contesta-o o Professor Francisco da Silveira Bueno ( “Vocabulário Tupí-Guaraní Português” ) :
“Apiahy - lugar alagado, úmido, sujeito a inundações. Nome de uma cidade do Estado de São Paulo, com minas de chumbo. Theodoro Sampaio acha que Apiahy seja o rio dos meninos. Parece-nos que não, porque é o local, a cidade que se chama Apiahy.”
Alguns afirmam, sem entretanto indicar a fonte segura de informação, que Apiahy é interpretativo de “divisor de águas”, embora exista um fundamento fático para tanto, eis que a cidade está localizada ao sopé do Morro do Ouro, na Serra de Paranapiacaba, naturaldivisor das águas que vertem para as bacias que compõem os rios Ribeira de Iguape e Paranapanema.
Plínio Airosa Galvão, num longo e bem proveitoso trabalho em que procurava o significado exato do topônimo Apiahy, sem encontrá-lo, deixou a cargo do leitor mais interessado a sua interpretação ( Jornal “Apiahy”, edição 33, de 11 de Fevereiro de 1940, artigo transcrito de “O Estado de São Paulo”, de 22 de Janeiro de 1940 ).
Após exaustiva exposição, deixou ele suas ponderações finais :
“Por isso, pode afirmar-se categoricamente que nem tudo quanto anda por aí escrito com y ou com hy, há que ser rio, córrego ou água, sob qualquer de seus aspectos geográficos, como nem todo nome de córrego, de rio ou de aguada qualquer, em que apareça som de i, há de sugerir idéia de líquido.”
Ante tanta discórdia dentre os estudiosos o mais aconselhável é aceitar-se o conselho de Plínio Airosa Galvão. Na conformidade da situação geográfica de
Apiaí, imutável no tempo e no espaço, o mais lógico, é traduzir-se “Apiahy” como “divisor de águas”. O “Morro do Ouro” que encima a cordilheira de Paranapiacaba, constitui-se realmente num separador manifesto, incontroverso e nítido, das águas que procuram, respectivamente, os dois grandes rios do Estado de São Paulo, Paranapanema e Ribeira de Iguape. Como toda a majestosa Serra de
Paranapiacaba. Qualquer um pode constatá-lo. Percorrendo-se o espigão mestre do Morro do Ouro, percebe-se de um só ponto duas nascentes, distantes poucos metros uma da outra. A leste começa o córrego São Bento, que vai acabar no Rio Pião, que por sua vez vai engrossar o Apiahy-Guaçú, que tem seu fim no Paranapanema. A oeste e no sentido sul nascem os córregos “ Canal do Ouro”,“Água Limpa” e “Tijuco”.