Até o ano de 1952 ainda se viam nesta cidade as ruínas da construção sesquicentenária que abrigou outrora a Cadeia Pública de Apiaí. Localizava-se no lugar apelidado “Alto da Cadeia”, ou seja, na colina que medeia as ruas 15 de Novembro e Major Torquato Rios Carneiro, nos fundos do prédio da Escola Estadual de Primeiro Grau “Gonçalves Dias”, dominando a vista que se abre para a parte baixa da cidade.
A pretexto de se construir o muro que circunscreve a Escola, sacrificouse sem apelação, o que Apiaí guardava de mais significativo de sua história e de sua memória, numa seqüência lamentável de violências que se haviam iniciado com a demolição do chamado “Castelo”, nos fundos do Hospital Dr. Adhemar Pereira de Barros, em 1938, e do conjunto arquitetônico do jardim e coreto na antiga Praça do Triângulo, também no ano de 1952. De tudo não restou pedra sobre pedra. Partiu-se de vez o elo que ligava a cidade do presente às suas tão antigas origens.
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Fonte da imagem: Livro Santo Antonio das Minas de Apiahy |
Resta-nos recordar o que foi e o que significou a “Cadeia Velha”. Com a emancipação político-administrativa de “Santo Antonio das Minas de Apiahy”, festejada a 14 de Agosto de 1771, os administradores da Vila, que eram os vereadores de sua Câmara, deram início às obras essenciais à consolidação do novo município.
Já existia o Paço do Conselho, edifício que abrigava a Câmara com todas as suas dependências pertinentes à época, como aquelas do Registro do ouro extraído das minas e garimpos para efeito da tributação do famigerado quinto devido à Coroa Portuguesa, as do salão onde se realizavam as sessões, as do compartimento para a aferição de pesos e medidas, etc.
Construiu-se a Cadeia Pública no curso do ano de 1773, com espessas paredes de taipa de terra socada, portas e janelas da madeira de lei chamada “taiúva”, cobertura de telhas goivas montadas sobre madeiramento reforçado da mesma taiúva”. As grades eram de “caviuna preta”, cujo cerne tem uma consistência semelhante à do ferro. Esse prédio enfrentou e venceu o rigor dos anos e foi desativado somente no ano de 1912 quando se inaugurou o prédio da Cadeia Nova que abrigava o Fórum, a Delegacia e a Cadeia, sendo precisamente aquele ainda hoje ocupado pela Delegacia de Polícia, na Praça Francisco Xavier da Rocha, número 243.
Desativada naquele ano de 1912, a Cadeia Velha foi se deteriorando gradativamente ano a ano, como resultado do abandono e da conseqüente ação da chuva, do vento, e também pela atividade de pessoas que lhe subtraíram as telhas e o madeiramento. Já no ano de 1920, da Cadeia Velha só restavam as grossas paredes principais, todas de taipa. Esses restos permaneceram eretos até seu final definitivo, acontecido em 1952. O Apiaí que acompanhou a deterioração e o fim da Cadeia Velha era bem pequeno, quase que uma só família. Suas ruínas deixaram boas lembranças na memória de muitos que aqui ainda residem. Nos domingos e feriados ensolarados, dela se acercavam e alí permaneciam para um bom bate papo muitas pessoas da comunidade; era o local preferido para os namoricos dos jovens; a molecada costumava camuflar-se dentro delas nas brincadeiras de esconde-esconde. A dar às ruínas um aspecto sugestivo e alegre, sobre uma de suas paredes nasceu, cresceu e produziu frutos uma bela figueira. Nessa figueira o “sem-fim”, pássaro típico da terra, emitia seu trinado lânguido e intermitente que todos escutavam. Com a morte das ruínas, morreu também o “sem-fim”.
Dos anais de nossa Câmara Municipal existem várias notícias sobre a construção da Cadeia Velha. No dia 22 de Janeiro de 1773, o procurador da Câmara, Mateus Rodrigues de Matos, entregava ao Ajudante Fernando Dias de Almeida Falcão uma oitava de ouro, por conta de treis oitavas e meia, preço que haviam custado as telhas. Sabendo-se que uma oitava de ouro em pó corresponde a 3,586 gramas do metal, e considerando-se seu preço atual, pode-se calcular o custo real daquelas telhas. No dia 1º do mesmo mês e ano, pagava o procurador a José de Pontes, três oitavas de ouro, por “alguns serviços” prestados na construção da Cadeia. Na mesma data pagava-se ao pedreiro Claudio Correia sete oitavas de ouro para “repartir, rebocar e forrar” a Cadeia, e por pregos e grades utilizados na mesma obra. Detalhe importante: a Cadeia enfocada destinava-se ao recolhimento de infratores ou delinqüentes brancos ou escravos libertos. Para outra categoria de escravos, ou seja, para os que se encontravam em cativeiro, existia um cárcere especial, denominado “Calabouço”, localizado no bairro Palmital, cujos restos também foram destruídos quando o Instituto de Pesquisas Tecnológicas construiu a importante Usina Experimental de Chumbo e Prata de Apiaí, no ano de 1938.
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Fonte da imagem: Livro Santo Antonio das Minas de Apiahy |
FONTE TEXTO: LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ
OBSERVAÇÃO:
A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!
"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃO, OSWALDO MANCEBO.
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