O QUARTEL DE APIAÍ

Numa outra oportunidade recordamos a “Cadeia Velha”, cujos vestígios em taipa ainda existiam no ano de 1952, e que foram destruídos para dar lugar ao muro que delimita, nos fundos, o terreno da E.E.P.G. “Gonçalves Dias”, e que na época seriam os restos do mais antigo prédio público da cidade de Apiaí. Ali eram recolhidos os delinqüentes brancos e os escravos forros ou libertos, eis que os escravos cativos que cometiam alguma infração ou um simples ato de rebeldia contra seu senhor - como fuga. etc. -, eram recolhidos e castigados na prisão do “Calabouço”, situada no bairro do “Palmital”, num lugar ermo, de modo a que à distância não se lhes escutassem os lamentos e estertores.

Rememoramos, agora, outra construção vetusta, cujos vestígios ainda eram bem nítidos no ano de 1928. Trata-se do edifício que abrigou até fins do século passado e desde os primeiros dias da cidade cujas origens demandam aos últimos anos do século XVIII, o “Quartel de Apiaí”, diverso das cadeias e delegacias. Era a sede que reunia os membros da Guarda Nacional, instituição governamental criada de início para tutelar e preservar os interesses da Coroa portuguesa na colônia do Brasil, corpo de infantaria de segunda linha, formado de cidadãos armados. Posteriormente, com a independência proclamada em 1822, uma Lei de 18 de agosto de 1831, subscrita pelo Padre Diogo Antonio Feijó, Ministro da Justiça, restabeleceu-a atribuindo-lhe a incumbência de difundir e fazer valer os princípios constitucionais do império do Brasil nesta região. Essa corporação paramilitar, cuidou, assim, de manter acesa a chama da hegemonia portuguesa em sua colônia, e em seguida, dos princípios que norteavam o Império brasileiro.



O “Quartel de Apiaí”, sede da 2ª Companhia da Guarda situava-se num terreno plano, no centro da cidade, precisamente na esquina das ruas hoje denominadas 19 de Novembro e 21 de Abril. Dele, naquele 1928, ainda restavam as quatro paredes externas de taipa de terra socada às custas do trabalho escravo.

Cadeia do Charcal de Apiaí

A Câmara Municipal, a quem competia administrar o município consoante legislação da época que vigorou até 1930, vendeu o patrimônio a Pedro Nolasco da Silva, conhecido por “Nhô Vidoca”, e em seguida, as paredes, por serem “velhas e imprestáveis”, foram demolidas, dando lugar, bem mais tarde, à uma sólida construção de um prédio próprio para residência e comércio que foi adquirido pelo saudoso Jonas Dias Baptista e que na atualidade pertence a José Cardoso dos Santos. No ano de 1791, a 2a. Companhia de Apiaí, sediada naquele quartel, era comandada pelo Capitão Mor Mathias Leite Penteado e compunham-na o Tenente Coronel Custódio Francisco Pereira, o Capitão Raphael de Oliveira Rosa, o Ajudante José de Lara Penteado, o Alferes Antonio da Rosa, o Sargento Joaquim de Pontes Maciel, o Cabo José de Andrade Rezende e doze praças de pré. A jurisdição daquela Companhia abrangia os bairros da Rocinha (que é o mesmo Paiolinho demarcado pouco depois como o “rocio” ou perímetro urbano da cidade), Pinheiros ou Pinheirinho, Sumidouro, Capoeiras (atual Araçaíba) e o Taquarussú.

No ano de 1873, já abolido o cargo de Capitão Mor, a citada 2a. Companhia, como 6a. Secção de Batalhão, era comandada pelo Major Carlos Antonio de Amorim, e composta pelos membros Alferes Cirurgião João Basílio Coelho, Capitão João Dias Baptista, Tenente João José Barbosa, pelos Alferes Joaquim Dias Baptista e João Torquato da Piedade, com cinqüenta e dois praças de pré. Todas as corporações referidas eram formadas por cidadãos de ilibada conduta e que não auferiam remuneração com o exercício do cargo, considerado como “munus público”.

Desativado o destacamento em data próxima da proclamação da república em 1889, a Guarda Nacional continuou a existir, tendo sido definitivamente abolida após os eventos políticos de 1930, mas o prédio do Quartel passou a ser utilizado pela Câmara Municipal para suas sessões e agilização de seus órgãos burocráticos, até que se deteriorou sem comportar a necessária reforma, enquanto ninguém ainda pensava em restauração para gravar história ou memória.


No Quartel, até o advento da República em 1.889, num livro próprio eram lançadas as atas de alistamento da juventude para o serviço do exército nacional, ficando a cargo do Juiz de Paz a respectiva seleção, inclusive as dispensas justificadas, como filho único ou por sofrer o alistando do “mar de lázaro”, “mar de gota” (sic), etc. - A derradeira autoridade a presidir essa seleção foi o Juiz de Paz mais votado, Bernardino Dias Duarte. É bom salientar que naqueles tempos, a hanseníase ou lepra grassava na região de modo a trazer sérias preocupações para a administração, tanto que em determinada oportunidade a Câmara dirigiu expediente ao Governador da Província, rogando providências para a solução desse grave e triste problema. Via de regra os que eram acometidos desse mal eram confinados em sanatórios, dentre os quais se destacava na Província e ao depois Estado de São Paulo, o de Pirapitinguí, desativado como tantos outros, anos atrás, porque a lepra, a partir dos estudos e descobertas do médico norueguês Gerardo Hansen, foi controlada e deixou de se constituir numa doença incurável, graças aos complementos conquistados por cientistas que prosseguiram nos trabalhos daquele grande benfeitor da humanidade.

FONTE TEXTO: LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ 

OBSERVAÇÃO:

A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!

 

"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃO, OSWALDO MANCEBO.

 

 

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