A ESCOLA EM APIAÍ



 Nos primeiros tempos, não havendo escola em Apiaí, o ensino era ministrado às crianças por uma pessoa de sua própria casa, que tivesse as mínimas condições para fazê-lo. As famílias mais abonadas, por sua vez, contratavam um mestre particular, que se nominava “aio” - ainda que leigo, que ensinava as primeiras letras. Nesta última hipótese, os que aprendiam a ler e a escrever eram os privilegiados. Daí a razão pela qual era bem grande o número de analfabetos, o que se constata, folheando-se os mais antigos livros e papéis existentes no Fórum e no arquivo da Câmara Municipal. Muitas pessoas, ainda que bem situadas financeiramente, eram analfabetas.

Os que deixavam Apiaí para estudar em São Paulo, a capital da Província, freqüentavam seminários, tornando-se sacerdotes. Foi o que aconteceu, por exemplo, com dois filhos do Capitão Thomaz Dias Baptista, minerador e lavrador bem sucedido de Apiaí. Teve treze filhos, mas somente dois deles saíram daqui para estudar na capital: Bento e Anacleto, nascidos, respectivamente, em 1779 e 1795. Ambos tornaram-se sacerdotes da igreja católica, retornando para Apiaí. Bento foi vigário geral de “Santo Antonio das Minas de Apiahy”, e Anacleto foi vigário em Yporanga.

  Pelo menos até 19/08/1.829, não havia na Vila de Apiahy professores públicos nem particulares, conforme comunicação feita pela Câmara ao governador da província. A primeira notícia que se tem aludindo ao ensino em Apiaí, repousa num ofício datado de 24/03/1.834, pelo qual a Câmara, através de seu presidente Bento Coelho Duarte, que seria o prefeito, comunica ao governador da província que na Vila havia uma escola particular de primeiras letras, com dezenove alunos que relacionou num apenso, regida  pelo pároco, Reverendo José de Pinna Vasconcelos, enquanto que posteriormente, a 10/10/1.853, Diogo Coelho Duarte, sucessor e possivelmente filho de Bento, indica àquele presidente, o casal Gabriel Rodrigues de Oliveira e Maria Dionízia, leigos, para ocuparem as cadeiras de professores de instrução primária, que se encontravam vagas. A primeira  escola pública em Apiaí, foi criada pela Lei nº 45, de 2 de abril de 1853, baixada pelo conselheiro Francisco de Carvalho Soares Brandão, presidente da província de São Paulo: “Artigo único. Ficam criadas duas cadeiras de primeiras letras no bairro do Apiahy, sendo uma do sexo masculino e outra para o sexo feminino”. E pelo que nos mostra o “Almanak da Província de São Paulo”, relativo ao ano de 1.873, os primeiros professores que oficialmente ocuparam aquelas cadeiras foram João Maria Prudente para a cadeira masculina, e Antonia Augusta de Lima para a cadeira feminina.

 Não se tem notícia exata sobre o local em que funcionou aquela primeira escola. Nos primeiros anos deste século ela funcionava em casa do professor Januário Ferreira Delgado, num prédio que existia onde hoje está construída a casa situada na rua 15 de Novembro, 146, e que pertenceu a quem a edificou, o saudoso Gastão dos Santos Lisboa. Sabe-se que por volta de 1.915 aquela primitiva escola, como “Escolas Reunidas de Apiaí”, instalou-se no prédio hoje ocupado pela Câmara Municipal, e já completamente restaurado.   O estabelecimento de ensino contava com quatro classes e o prédio pertencia ao juiz de direito doutor Domingos Marcondes de Andrade, que havia judicado em Apiaí nos dois anos imediatamente anteriores, que o locou ao governo do Estado. As “Escolas Reunidas de Apiaí” contavam, então,  com quatro professores, um diretor e um servente. Essa primeira escola de Apiaí recebeu o nome de “Grupo Escolar de Apiaí” no ano de 1.932, e tornou-se  “Escola Estadual de Primeiro Grau Gonçalves Dias” pelo Decreto 10.976, de 12 de Março de 1.940. Até 1.952 o “Gonçalves Dias”esteve funcionando nesse local, em dois horários, pela manhã e à tarde. Mas a cidade já havia aumentado consideravelmente e o elevado número de menores em idade escolar, também, conseqüentemente. Foi por essa razão que o governo estadual levantou, na praça Francisco Xavier da Rocha, o novo e bem mais amplo prédio, onde até hoje (1.993) funciona a “Escola Estadual de 1º Grau “Gonçalves Dias”, que começou a funcionar em Dezembro de 1.952. Concomitantemente com o  término das obras dessa Escola, o Estado, com total apoio da Prefeitura de Apiaí, construía o prédio onde viria funcionar a escola que pela Lei nº 2.173, de 16 de Julho de 1953 nominou-se “Escola Estadual de 1º Grau Dr. Amadeu Mendes”, que também abrigou, por longo tempo, a “Escola Municipal de 1º e 2º graus Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco”,  mais tarde extinta porque o custo de sua manutenção apresentava-se muito elevado, fora das possibilidades financeiras da municipalidade.


 A população da cidade e de seus bairros periféricos aumentava consideravelmente, daí que outras escolas foram criadas, funcionando em prédios edificados pelo governo estadual, na seguinte ordem cronológica:

- “EEPG Profa. Regina Dias Antunes da Silva”, Lei nº 17.698, de 26 de Novembro de 1.967;

- “EE de 2º Grau  Profa. Antonia Baptista Calazans Luz”, criada pelo Decreto nº 7.517, de 3 de Fevereiro de 1.976, referendada pelo Decreto nº 10.273, de 1 de Novembro de 1.977 que oficializou o nome de sua patrona;

- “EEPG Prof.  João Pedro do Nascimento”, no bairro Cordeirópolis, oficializada pelo Decreto 11.533, de 9 de Maio de 1.978;

- “EEPG. Profa. Sylvia Noemia de Albuquerque Martins”, no bairro Pinheiros, oficializada pelo mesmo Decreto;

- “EEPG. Profa. Elisa dos Santos”, oficializada pelo mesmo Decreto;

- “EEPG. Profa. Rosária Januzzi”, no bairro Palmital, oficializada pelo Decreto nº 18.361, de 5 de Maio de 1.982;

- “EEPG. Profa. Honorina de Albuquerque”, no bairro Alto da Tenda, oficializada pelo Decreto nº 21.922, de 31 de Fevereiro de 1.984.

  Dos respeitáveis nomes acima indicados como patronos das escolas estaduais, somente os do Dr. Amadeu Mendes e o do patrono “Gonçalves Dias” não estão ligados ao ensino em Apiaí. Os restantes foram antigos mestres que dedicaram longos anos de suas existências ao magistério apiaiense. A professora Antonia Baptista Calazans Luz, natural de Apiaí, formou-se em São Paulo pela tradicional Escola Caetano de Campos, nos idos de 1.923, é o mais antigo dos mestres enumerados, iniciou seu magistério em Apiaí e aqui aposentou-se por tempo de serviço. A professora Regina Dias Antunes da Silva, também natural de Apiaí, pode-se dizer, foi uma mártir do ensino paulistano, perdendo brutalmente sua preciosa vida quando se dirigia para sua escola no bairro “Pinhalzinho”, vítima da bárbara sanha de um indivíduo que melhor poderá ser identificado como legítimo monstro desalmado.  O professor João Pedro do Nascimento, natural de Capão Bonito, durante muitos anos foi diretor do Grupo Escolar de Apiaí, quando transmitiu a seus alunos inesquecíveis lições de civismo, de amor e respeito ao próximo e de como se comportarem condignamente no seio de sua comunidade, aposentando-se como Delegado de Ensino ao tempo em que exercia seu magistério na capital paulista. A professora Sylvia Noemia  de Albuquerque Martins, natural deItapetininga, casou-se com membro de tradicional família apiaiense e aqui lecionou ao tempo das Escolas Reunidas de Apiaí, aposentando-se prematuramente, em razão de grave moléstia que a acometeu. A professora Elisa dos Santos, natural de Jaboti, Paraná, estudou em Itapeva, iniciou seu magistério na escola de Barra do Chapéu, e foi promovida para o “Gonçalves Dias” onde se aposentou depois de haver prestado relevantes serviços ao ensino local. A professora Rosária Januzzi, natural de Itapeva,  exerceu seu magistério na escola de Itaóca que tem o nome do “Professor Elias Lages de Magalhães” durante muito tempo, vindo aposentar-se quando ministrava o ensino em Itapeva. A professora Honorina de Albuquerque, nascida em Itapetininga, veio para Apiaí em  anos da década de vinte, juntamente com suas irmãs, também professoras, a mencionada Sylvia Noemia e Maria Albuquerque. Maria (Da. Cotinha), lecionou em Ribeira e ali faleceu, depois de aposentada, tendo a escola de Itapirapuã Paulista recebido o seu nome. Sobre Sylvia já discorremos. A professora Honorina casou-se aqui em Apiaí com o provecto exator de rendas estaduais Lourenço Martins Dias Baptista e lecionou nas Escolas Reunidas de Apiaí e no Grupo Escolar de Apiaí, onde seu nome ficou gravado para a posteridade, como mestra enérgica mas essencialmente eficiente e humana. Era a substituta natural do diretor. Aposentada, faleceu em Itapetininga, onde havia ido para tratar de sua saúde, seriamente abalada. As três irmãs, Honorina, Sylvia e Maria formaram-se na Escola Normal Peixoto Gomide, de Itapetininga, tal como o professor João Pedro do Nascimento. Nos tempos das Escolas Reunidas e do Grupo Escolar de Apiaí, havia escassez de professores, razão pela qual, na ausência eventual de um titular era chamado para substitui-lo na emergência um leigo que costumava ter alguma experiência com relação às coisas do ensino.

Tudo indica que o ensino, noutros tempos, era levado muito a sério. Basta observar-se uma rara fotografia que existe na cidade, da qual um exemplar ornamenta o interior de nossa Câmara Municipal, onde é visto um grupo de meninos ao lado de autoridades importantes da época, com os seguintes dizeres num quadro negro: “Sessão de Exame Na Escola Pública da Primeira Cadeira de Apiahy” - Examinadores: Presidente - Major Augusto F. Rios Carneiro. Vigário - Celso Itiberê da Cunha. Doutor Afonso E. Joly - Juiz de Direito. Doutor Basileu Lages Nauma - Promotor Público. Capitão João Ferreira de Souza. Joaquim A. dos Santos Souza. Advogado - Professor Januário Ferreira Delgado. Apiahy, 4 de Dezembro de 1.899".
  Os exames  lembrados na fotografia com toda certeza se constituíram no último ato  cívico realizado na escola no apagar das luzes do século passado... Dentre os garotos nela retratados, figura um de que toda Apiaí tem muita saudade, e que faleceu há poucos anos, remanescente daquele seleto grupo, que  se chamava José Felipe de Campos, que todos conheciam amistosamente como “Nhô Duca”.

FONTE TEXTO: 

LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ 

OBSERVAÇÃO:

A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!

 

"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃO, OSWALDO MANCEBO.

 

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 Palavras chave: 

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