O primeiro censo demográfico de Apiaí é aquele relativo ao ano de 1776. A contar daí e até 1809, o Capitão Mor Regente, que era o administrador do povoado, enviava ao governador da capitania e ao depois da província, todo final de ano, um relatório em que discriminava pelo nome, idade e profissão, todos os habitantes da Vila. Assim era feito o recenseamento bem explícito e que merecia fé, porque redigido e subscrito sob juramento ante os “Santos Evangelhos”. Aquele recenseamento de 1776, foi redigido e assinado pelo Capitão Mor Regente Francisco Xavier da Rocha no dia 20 de dezembro daquele ano, demonstrando que Apiahy contava, então, com 756 habitantes, sendo 338 brancos e 418 cativos ou escravos.
No censo seguinte, correspondente ao ano de 1777, apresentado pelo mesmo Capitão Mor, havia em Apiaí 725 almas, entre livres e cativos, e em 1778, o próprio Xavier indicou 772 pessoas.
Falecendo o Capitão Mor Francisco Xavier da Rocha, o recenseamento de 1779 ficou a cargo de seu substituto temporário o Capitão Antonio Duarte do Valle, que encontrou nas minas de Apiaí 820 pessoas. O Capitão Mor Mathias Leite Penteado, que subscreveu o recenseamento de 30 de janeiro de 1782, apontou 980 pessoas e a 30 de janeiro de 1783, 1087 habitantes. Esse número, de pouco oscilou entre 1784 até 1809.
Vale destacar detalhes contidos no recenseamento do ano de 1798, apresentado pelo mesmo Capitão Mor Mathias Leite Penteado:
Estavam alojadas em Apiaí 1140 pessoas, sendo 226 brancos, 99 pretos livres, 413 pretos cativos, 277 mulatos livres e 125 mulatos cativos, destacando-se entre esses habitantes, 7 ligados à corporação militar, 11 magistrados e ocupantes de empregos civis, 1 pertencente ao clero secular, 46 agricultores, 1 mineiro proprietário, 27 mineiros ocupados no trabalho das minas, 5 negociantes, 5 jornaleiros (trabalhadores ganhando por dia), 3 alfaiates, 4 sapateiros, 4 oficiais de carapina (carpinteiros) e 3 oficiais de ferreiro. Os então nominados “magistrados” eram os componentes da Câmara.
Essa forma de recenseamento nominal e específica, perdurou até 1809, quando se apurou existirem em Apiaí 1317 habitantes fixos, sendo 210 brancos, 128 pretos livres, 351 pretos cativos, 160 mulatos livres e 178 mulatos cativos.
A contar de então o número de domiciliados em Apiaí passou a ser enunciado através de menções feitas por pesquisadores ou por publicações feitas por órgãos particulares e públicos. O pesquisador e historiador francês Saint Adolphe, em sua obra citada anteriormente, diz haver encontrado em Apiaí, no ano de 1845, 1800 pessoas, “derramadas em duas ou três léguas quadradas de terra”.
A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo fez publicar, em 1873, o “Almanaque da Província do Estado de São Paulo”, que, não fazendo alusão aos habitantes de Apiaí, nos proporciona, entretanto, dados interessantes sobre as atividades exercitadas pela população daquele tempo, circunstância que nos permite imaginar sobre quantos poderiam residir na cidade e no Município que então se chamava Termo.
Administrativamente o então Termo de Apiahy estava subdividido em três distritos. O 1º, compreendendo os quarteirões da Vila, do Caminho do Porto, Passa Vinte, Anta Magra e Encapoeirado. O 2º, compreendendo os quarteirões da Capela da Ribeira, Ribeirão de São Sebastião, Ribeirão Grande, Descampado e Areado. O 3º, compreendendo os quarteirões de Morro Agudo, Xuxeva, Bom Sucesso, Campina, Barro Branco, Itaóca de Cima, Palmeiras e Capoeiras.
Vale observar que pouco tempo depois os quarteirões do Ribeirão de São Sebastião, Ribeirão Grande e Descampado passariam a compor o Estado do Paraná, o de Bom Sucesso seria transferido para Itararé e o de Itaóca de Cima para Itapeva.
Aqueles três distritos estavam sob a jurisdição do Juiz de Direito da Comarca de Faxina (hoje Itapeva), pois Apiahy ainda não era Comarca, contando, por isso, com um Juiz Municipal com três suplentes, um tabelião, um escrivão de órfãos, dois solicitadores (advogados não bacharéis em Direito) e dois oficiais de justiça. Eram quatro os Juízes de Paz. A Delegacia de Polícia tinha à testa um Delegado leigo com um sub-delegado e três suplentes. Estava sediada em Apiahy a 6º Secção do Batalhão da Guarda Nacional, sob o comando de um Major, com um Alferes Cirurgião, composta a Secção por duas companhias: a segunda, sediada em Apiahy e a primeira na Capela da Ribeira, cada qual possuindo um Capitão, um Tenente e dois Alferes. Integravam a Secção 342 soldados da mesma Guarda Nacional, alistados entre civis e que não recebiam soldo.
A Câmara Municipal era composta por um Presidente e seis Vereadores. No setor da instrução primária havia um Inspetor, um professor para a classe masculina e uma professora para a classe feminina. O Vigário era o Padre Joaquim Gabriel da Silva Cardoso, auxiliado por um escrivão e um fabriqueiro (tesoureiro). As festas se resumiam nas de Santo Antonio, a 13 de Junho, do Espírito Santo, do Senhor Bom Jesus, a 6 de Agosto, na Capela de Capoeiras, do Senhor Bom Jesus, a 8 de Dezembro, na Capela da Ribeira, de Nossa Senhora do Rosário, no 1º domingo de Outubro, de Nossa Senhora da Boa Morte, a 15 de Agosto, de São Benedito, a 26 de Dezembro, e de Nossa Senhora das Dores e Ressurreição, na quaresma. Quatro eram as Irmandades: de Santo Antonio, São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora da Boa Morte, as três últimas comemoradas principalmente pela comunidade negra.
Os eleitores do Termo ou Município, de acordo com a legislação da época, que conferia a inscrição eleitoral apenas àqueles bem abonados financeiramente, negando-a às mulheres e à tantos outros, eram em número de cinco. Havia apenas uma sociedade organizada e que promovia bailes. Os maiores cultivadores de cana de açúcar eram cinco, os de cana e arroz seis, os criadores de gado muar e cavalar três, e os maiores cultivadores de milho somavam onze.
Dois eram os armazéns que vendiam por atacado fumo e toucinho, onze eram as lojas de fazenda e seis os armazéns de secos e molhados. No que se refere às artes, indústrias e ofícios, catalogaram-se um professor de música, três alfaiates, três carpinteiros, cinco ferreiros, três fogueteiros, dois pedreiros, três sapateiros, dois tropeiros, duas máquinas de socar mate e arroz e uma olaria.
O historiador Alfredo Moreira Pinto, em seu trabalho já citado, encontrou em Apiaí, no ano e 1894, aproximadamente 5.366 pessoas residentes nas zonas urbana e rural. O “Anuário de São Paulo”, editado em 1922 por Roberto Cappi, já se referindo a Município de Apiaí, dá-o habitado por 10.285 pessoas, sem distinguir área urbana da rural. Em 1924, o Município contava com 12.342 habitantes, conforme anotado no livro “Os Municípios do Estado de São Paulo”, de autoria de Marcello Pizza, do Departamento Estadual do Trabalho. O “Dicionário dos Municípios de São Paulo”, publicado em 1929 por Affonso A. de Freitas, repete exatamente aquele número!
O “Livro dos Municípios de São Paulo”, editado pela Imprensa Oficial do Estado em 1950, alude a 17.333 habitantes, sendo 13.000 na área rural e 4.333 na área urbana.
Quando da edição que comemorou o segundo centenário do Município (14.08.1971), o jornal “Folha do Sul”, de Itapeva, apontou para a zona rural 14.182 habitantes e 5.341 para a urbana. E pelos dados passados oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE-, relativo ao censo de 1980 a população urbana de Apiaí reunia 7.809 pessoas e a rural 19.171. Neste ano de 1993 Apiaí conta com 26.534 habitantes, já descontados os que moram em Barra do Chapéu e Itaóca, sendo 15.056 na área urbana sede do Município e 11.478 em sua área rural, de acordo, também, com dados fornecidos pelo IBGE.
Percebe-se que o número de habitantes do Município, a partir da época em que a mineração aurífera fracassou, permaneceu reduzida e estável até o decurso da metade do século passado pelo menos, uma vez que números com respeito à segunda metade não são de todo conhecidos, exsurgindo no cenário estatístico somente na primeira metade desde século, e a seguir, com prevalência absoluta para a zona rural. Observa-se, também, que o êxodo rural passou a ocorrer, de modo sensível, depois de 1.971, época que coincidiu com a implantação de indústrias extrativas na periferia da cidade (usina de cimento, serrarias, etc.) e com a reconhecida insegurança da monocultura arrimada na lavoura do tomate iniciada por volta de 1.949.
FONTE TEXTO:
LIVRO SANTO ANTONIO DAS MINAS DE APIAHY, RUBENS CALAZANS LUZ
OBSERVAÇÃO:
A maioria dessas fotos antigas de Apiaí eu encontrei na internet. Nenhuma dessas fotos pertencem a mim!!! É algo que pertence a todos nós Apiaienses que amam essa terra. Muitas fotos também são do Livro Santo Antônio das Minas de Apiahy, do Sr. Rubens Calazans Luz, devidamente serão postadas com os créditos. Muitas destas fotos antigas também são das pessoas que aqui já viveram, caso algum familiar se sinta ofendido, por favor entre em contato comigo que eu deleto a foto. Desde já agradeço!!!
"Um povo que despreza suas origens, sua história, é um povo que se perde a cada geração que passa". Frase do livro: APIAÍ, DO SERTÃO Á CIVILIZAÇÃO, OSWALDO MANCEBO.
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Palavras chave:
HISTÓRIA DE APIAÍ - COMO COMEÇOU APIAÍ? - APIAÍ VALE DO RIBEIRA